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BIG PHARMA NO BRASIL - RELAÇÕES PROMÍSCUAS ENTRE FARMACÊUTICAS E SAÚDE PÚBLICA

Quarta-feira, 18.05.11
Propagandista é vetado em posto de saúde

Conversa entre homens da indústria farmacêutica e médicos atrapalha atendimento, diz Prefeitura de Ribeirão Preto

Para Cremesp, medida é inédita no país e deve ser estendida a outras cidades; laboratórios criticam a proibição

Silva Junior/Folhapress

Armários de representantes de laboratórios em corredor do HC de Ribeirão Preto, onde não vale o veto da prefeitura

JULIANA COISSI
DE RIBEIRÃO PRETO

Numa medida considerada inédita pelos conselhos Federal e Estadual de Medicina, a Prefeitura de Ribeirão Preto, no interior paulista, passou a proibir a presença de representantes da indústria farmacêutica em unidades de saúde municipais.
O veto aos chamados propagandistas de remédios ocorre após denúncia de que pacientes ficavam na fila de atendimento enquanto eles conversavam com médicos.
"Em apenas um dia, contamos 38 representantes na mesma unidade", afirma a prefeita Dárcy Vera (DEM).
O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) quer restringir o acesso, já que a propaganda parece ter efeito: 48% dos médicos paulistas que recebem visitas de propagandistas prescrevem remédios sugeridos por fabricantes, segundo pesquisa do conselho divulgada no ano passado.
A medida foi tomada em meio a uma crise da saúde na cidade. Há falta de leitos. Pacientes esperam até seis horas pelo atendimento.
Vereadores protestaram alegando que o veto tira empregos. Dizem que a fila no atendimento não é causada pelos propagandistas.
No Hospital das Clínicas da cidade, que não é municipal, os propagandistas ficam em corredor onde abordam os médicos. Eles contam até com armários próprios, com o nome de cada laboratório. São 180 profissionais.
Robson Aparecido Pantosso, 41, propagandista há dez anos, afirma que a visita ao médico é rápida -cerca de dois minutos. No HC ele aborda por dia até 20 médicos.
Ele diz não ver influência da oferta de amostras grátis na decisão médica. "Nós levamos informação do medicamento. É ele que decide se prescreve ou não", afirma.
Edson Ribeiro Pinto, presidente da Fenavenpro, federação dos propagandistas do país, critica o veto. "Esses profissionais vendem vida, saúde, e não vendem armas."
Ribeiro Pinto afirma ainda que muitos dos médicos não têm tempo de se reciclar sobre novos remédios.
No país, existem cerca de 200 mil propagandistas.
O Sindusfarma, que representa os laboratórios, diz que o veto é "um desserviço à população e à classe médica".


REPERCUSSÃO RELAÇÃO É "PROMÍSCUA", DIZ MÉDICO

Bráulio Luna Filho, coordenador da comissão que estuda a relação entre médico e indústria do Cremesp, diz ser "lamentável" que médicos se aconselhem sobre um remédio com outra pessoa que não seja também um médico. "Eles não são profissionais da ciência, são propagandistas e terminam usando métodos de sedução, como oferta de viagens, jaleco, brindes." Médico há 40 anos, ele defende que haja uma regulação. "A indústria é muito forte", afirma Luna Filho.


ANÁLISE PROPAGANDISTAS EM UNIDADES DE SAÚDE

Não é o paciente que deve pagar essa conta

Embora legítimas, visitas de representantes de laboratórios a médicos reduzem o já exíguo tempo da consulta


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ESTUDOS APONTAM QUE O TEMPO MÉDIO DE UMA CONSULTA NO SUS É DE 9 MINUTOS. OMS RECOMENDA, NO MÍNIMO, 15
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CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO

O veto à ação de propagandistas de laboratórios durante o atendimento nos postos de saúde de Ribeirão abre um novo capítulo na polêmica que envolve médicos e a indústria farmacêutica.
Nos últimos anos, falou-se muito da influência dos laboratórios nas decisões médicas e de gestores do SUS.
Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), 75% desses profissionais recebem visitas mensais de propagandistas, e 37,7% admitem que podem ser influenciados por elas.
A questão agora diz respeito ao tempo que os médicos dedicam aos representantes dos laboratórios. Para atendê-los, atrasam as consultas ou, como suspeitam alguns, reduzem o tempo da consulta. Essa é uma realidade tanto dos postos de saúde do SUS quanto dos consultórios particulares.
Quem nunca presenciou um médico usar o intervalo entre uma consulta e outra para receber propagandistas com suas inconfundíveis maletas pretas? E isso independe de haver ou não um próximo paciente à espera do atendimento.
Não há dúvida de que essas visitas são legítimas e interessam a ambas as partes. Acontece que o tempo da consulta é cada vez mais exíguo. No SUS, pela grande demanda de doentes. Na rede privada, em razão dos baixos valores pagos aos médicos pelos planos de saúde.
Alguns estudos apontam que o tempo médio de duração de uma consulta no SUS é de nove minutos. O Ministério da Saúde e a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendam, no mínimo, 15 minutos.
A redução do tempo de consulta pode omitir etapas importantes no atendimento. Uma boa entrevista (anamnese) que dará pistas para a identificação do problema de saúde e a correta orientação para o uso da medicação são algumas delas.
Os médicos argumentam que as visitas dos propagandistas são importantes para a atualização profissional -ainda que reconheçam que muitas informações sejam enviesadas. Por que então não os recebem antes ou depois das consultas? Ou no horário do almoço? Seja como for, não é o paciente que deve pagar essa conta.


Fontes:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0204201101.htm
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0204201102.htm
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0204201103.htm


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Médicos ligados à indústria ditam regras de conduta

No país, profissionais em conflito de interesse assinam diretrizes para tratamentos

Conselho Federal de Medicina reconhece a situação "conflituosa", mas diz que não há qualquer restrição legal

CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO

Médicos brasileiros responsáveis por elaborar diretrizes clínicas possuem conflitos de interesse com os laboratórios farmacêuticos.
Diretrizes são orientações que padronizam a conduta para determinada doença. Feitos por entidades profissionais, esses documentos definem, por exemplo, qual a taxa de colesterol ou o nível de pressão arterial aceitáveis e quais as classes de remédios que devem ser usadas no tratamento dos pacientes.
A Folha pesquisou 11 diretrizes de algumas doenças -hipertensão, obesidade, hepatites B e C, diabetes, artrite reumatoide, tromboembolismo venoso, disfunção erétil, artrose e climatério.
Dos 111 profissionais que fizeram o documento sobre hipertensão, 63 (56,7%) declararam que, nos últimos três anos, fizeram estudos, receberam ajuda, deram palestras ou escreveram textos científicos patrocinados por laboratórios. Dois deles têm também ações da indústria.
A situação se repete na diretriz sobre climatério e doenças cardiovasculares. Dos 33 médicos que a assinam, 16 (48,5%) são patrocinados pela indústria. Dois têm ações de laboratórios.
Na diretriz de disfunção erétil, todos os cinco médicos têm conflitos de interesse.
A questão é polêmica, embora não seja ilegal. Nos EUA, há um movimento médico crescente que considera inaceitável esse tipo de conflito. Apontam que, ao terem ligação com a indústria, os médicos podem favorecê-la prescrevendo mais remédios, minimizando os riscos das drogas ou distorcendo dados sobre a eficácia delas.
O CFM reconhece a situação "conflituosa", mas diz que não há hoje nenhuma restrição que médicos ligados a indústria participem de consensos. "Não tínhamos pensado nisso, mas é preciso rever essa situação. É difícil adotar diretrizes com pessoas comprometidas com a indústria. Pode perder a credibilidade", afirma Roberto D'Ávila, presidente do CFM.
O médico Wanderley Marques Bernardo, coordenador do "Projeto Diretrizes", da AMB (Associação Médica Brasileira), afirma que a diretriz segue uma metodologia rígida e que é baseada em fortes evidências científicas.
Segundo ele, há um grupo isento que faz uma revisão final. "Se houver ainda algum problema ou interesse, seja ele deliberado ou não, a gente corrige", diz ele.
O cardiologista Jadelson de Andrade, coordenador das diretrizes da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia), argumenta que médicos de ponta geralmente são chamados pela indústria para participar de estudos e dar consultorias ou palestras.
Para ele, o ideal seria que o governo destinasse uma verba para a produção de diretrizes clínicas formuladas por pessoas isentas de conflitos.
Para Inez Gadelha, coordenadora do departamento de atenção especializada do Ministério da Saúde, "o ideal não existe". "É muito difícil não ter conflito. Uma coisa eventual, um jantar, uma viagem, não compromete. A questão é o grande conflito."

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd0302201101.htm

Protocolo sobre colesterol gera controvérsia

DE SÃO PAULO

Há uma polêmica em curso no Brasil sobre como tratar pacientes com índices elevados de colesterol no sangue (dislipidemias).
O ministério está elaborando um novo documento, mas não consultou a Sociedade Brasileira de Cardiologia, que já tem uma diretriz pronta sobre o tema.
Os cardiologistas dizem que, seguindo as novas recomendações do ministério, o SUS estará tratando mal os pacientes.
Um dos problemas seria o ministério considerar o nível ótimo do LDL (colesterol ruim) como inferior a 100 mg/ dL (miligramas por decilitro de sangue).
A SBC preconiza um nível ótimo muito mais baixo, inferior a 70, segundo Jadelson de Andrade, coordenador das diretrizes da SBC.
Os cardiologistas também discordam de o ministério não incluir no documento a dislipidemia de base genética (hipercolesterolemia familiar), em que há tendência a altos níveis de colesterol, independentemente da dieta ou exercício.
A proposta da SBC é que pacientes com o problema recebam a medicação gratuitamente no SUS, em razão do alto risco de eventos cardiovasculares.
Inez Gadelha, do Ministério da Saúde, afirma que o ministério consultou as melhores bibliotecas virtuais, como a Cochrane e a Pubmed, para elaborar o protocolo e que não é praxe ouvir as sociedades médicas na fase inicial do documento.
Ela afirma que a SBC apresentou contribuições durante a fase de consulta pública, que terminou no mês passado, "Assim como todas as demais apresentadas, essas contribuições serão analisadas e avaliadas, com base em critérios técnico-científicos."
Segundo Gadelha, o grupo técnico que elabora o protocolo assina um termo de confidencialidade para que não sejam assediados ou sofram interferências na elaboração do documento.
E a coordenação do grupo técnico, que faz o julgamento final dos trabalhos, é isenta de conflitos. (CC)

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd0302201102.htm

"Profissionais patrocinados podem distorcer informações sobre drogas"


Adriane Fugh-Berman, da Universidade de Georgetown

DE SÃO PAULO

Médicos que recebem recursos da indústria farmacêutica ou de equipamentos podem exagerar na prevalência ou na importância de doenças, minimizar os riscos e distorcer dados sobre a eficácia das drogas. É a opinião da médica Adriane Fugh-Berman, professora da Georgetown University Medical Center, em Washington, considerada uma das maiores autoridades mundiais em conflitos éticos entre médicos e a indústria farmacêutica. Em um dos últimos artigos que publicou, em setembro do ano passado, ela mostrou que uma farmacêutica multinacional plantou sistematicamente artigos favoráveis a seus medicamentos em periódicos científicos. Adriane dirige o "PharmedOut", um programa de educação e pesquisa sobre a influência da indústria na prescrição médica. A seguir trechos da entrevista à Folha. (CC)

Folha - É aceitável que médicos responsáveis por diretrizes clínicas tenham conflitos de interesse com a indústria, ainda que declarados? Adriane Fugh-Berman - Isso não deveria acontecer. Diretrizes clínicas devem depender da ciência, e as análises em casos em que a ciência não é clara devem ser feitas por pessoas imparciais, não por aquelas que têm conflitos de interesse.

Qual é o principal problema desses conflitos?
Ele garante que as metas do marketing das empresas farmacêuticas sejam cumpridas. Os médicos pagos pela indústria representam o interesse da indústria, estejam eles conscientes disso ou não. Podem exagerar na prevalência ou na importância das doenças, expandir classificações de doenças, minimizar os problemas de segurança e não dar importância a terapias não-farmacológicas, como dieta e exercícios.

Qual é o impacto para o paciente?
Diretrizes são poderosos determinantes para os médicos. Elas deveriam ser elaboradas pelos defensores da saúde pública, não por médicos pagos pela indústria.

É possível elaborar diretrizes com 100% de isenção?
Sim! Os médicos pagos pela indústria farmacêutica são transportados para um mundo de oportunidades que distorcem o discurso da medicina. Há muitos médicos acadêmicos que não têm relações com a indústria.


http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd0302201103.htm


E EU COM ISSO?

Sites divulgam quem tem ligação com laboratórios

DE SÃO PAULO

No Brasil não há um banco de dados em que o paciente possa pesquisar se o seu médico é patrocinado pela indústria. Os laboratórios mantêm segredo sobre esses pagamentos.
Nos EUA, porém, sete laboratórios já começaram a postar na internet nomes e valores pagos a médicos.
O site ProPublica (http://projects.propublica.org/docdollars ) reuniu esses dados e montou um serviço em que o paciente coloca o nome do médico e o Estado onde ele atua e consegue saber se ele recebeu verbas.
No projeto diretrizes (http://www.projetodiretrizes.org.br/ ), alguns documentos já constam a declaração de conflito de interesse de médicos, mas não há menção de valores. (CC)

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd0302201104.htm


Ninguém está livre da influência de processos inconscientes nas decisões

HÉLIO SCHWARTSMAN
ARTICULISTA DA FOLHA

Médicos, a exemplo de juízes e do pessoal do TCU, gostam de defender-se de insinuações de conflito de interesses apelando para a razão.
Com efeito, nenhum profissional de saúde em seu juízo perfeito receitaria uma droga sabidamente pior só porque recebeu um brinde do laboratório que a fabrica. Ainda que os médicos desprezassem solenemente seus clientes, não teriam nenhum interesse em arriscar suas reputações por um badulaque.
Ocorre que médicos, como juízes e o pessoal do TCU, são seres humanos. E seres humanos, como demonstrou o neurologista António Damásio, são incapazes até de pensar sem mobilizar emoções e outras manifestações do cérebro primitivo, as quais influenciam sutilmente decisões que julgamos racionais.
Tal fenômeno ocorre pelas mais insuspeitas vias. Uma das formas pelas quais seres humanos entram em sincronia é através de discretas imitações de linguagem e expressões faciais. Um experimento de 2003 de Rick van Baaren mostrou que garçonetes que reproduzem palavras e trejeitos de fregueses obtêm mais gorjetas.
Médicos, é claro, não são uma exceção. Uma metanálise clássica publicada em 2000 no "Jama" concluiu que a distribuição de brindes, amostras grátis, refeições e subvenções para viagens têm indiscutível efeito.
Pagar uma viagem para um profissional aumenta entre 4,5 e 10 vezes a chance de ele receitar as drogas produzidas pela patrocinadora. Efeitos semelhantes foram medidos para cada uma das interações mais comuns entre médicos e indústria. Esse marketing ativo é tão eficiente que se estima que as farmacêuticas a ele dediquem até 30% de seus orçamentos.
Esse e outros efeitos dos processos inconscientes sobre a mente racional são tantos e tão poderosos que parte dos neurocientistas hoje sustenta que o livre arbítrio não passa de uma ilusão.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd0302201105.htm


ANEXO para as postagens:

BIG PHARMA NO COMANDO DA MEDICINA http://holosgaia.blogspot.com/2011/04/big-pharma-no-comando-da-medicina.html


A MEDICINA MORTAL DA NOVA ORDEM MUNDIAL (IATROGENIA)http://holosgaia.blogspot.com/2011/03/medicina-mortal-da-nova-ordem-mundial.html


PODER DAS FARMACÊUTICAS FAZ DE VOCÊ UM DOENTE PRECISANDO DE "REMÉDIO$"

http://holosgaia.blogspot.com/2010/08/poder-das-farmaceuticas-faz-de-voce-um.html


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publicado por conspiratio às 10:46





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